Mesmo que a sua empresa não seja uma startup, você já deve ter ouvido falar muito sobre esse modelo de empreendedorismo. Afinal, muitas empresas famosas e gigantes do mercado mundial nasceram como startups, por exemplo, Google, Facebook, Airbnb, Uber, Globant e Nubank.
Mas, afinal, o que estas empresas de áreas tão diferentes têm em comum?
Para nos ajudar a entender melhor este assunto, conversamos com Evandro Reis, vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento de negócios da Globant, uma empresa na qual a engenharia, o design e a inovação se encontram e ganham escala para ajudar organizações a liderar mudanças por meio da transformação digital e cognitiva.
O que é uma startup?
“Startups são organizações, formadas geralmente por um pequeno grupo de pessoas, em busca de validar uma ideia de um modelo de negócio inovador que represente uma disrupção com o que estamos acostumados e que seja escalável, ou seja, com a possibilidade de um crescimento exponencial com o aporte de recursos, basicamente financeiros”, explica Evandro.
Além disso, uma das características principais de uma startup é trabalhar com uma meta de crescimento, muitas vezes, com um prazo bem mais curto e desafiador em comparação aos praticados pelas grandes empresas mais tradicionais.

Startups são formadas por um pequeno grupo de pessoas em busca de validar uma ideia de um modelo de negócio
Contudo, Evandro destaca que o segredo desse modelo está na palavra “validar”.
“Para validar um negócio, os fundadores traçam diversas hipóteses e procuram confirmá-las com clientes em potencial se o que eles desejam oferecer faz sentido, se atende as necessidades. Ou seja, tentam descobrir se os clientes estão dispostos a pagar pelo seu produto ou serviço”.
Como saber se minha ideia de negócio pode nascer como uma startup?
Como, normalmente, essas empresas nascem de forma totalmente disruptiva, ou seja, rompendo com o status quo do mercado, nunca sabemos com certeza se uma ideia pode se tornar uma startup. “É preciso testar, testar e testar”.
Para que você possa entender o verdadeiro sentido e a importância do que é romper a tradição de um setor do mercado, veja os exemplos abaixo:
Netflix
A Netflix nasceu de uma startup e foi fundada nos Estados Unidos, em 1997, como um serviço de entregas de DVD pelo correio, uma forma de complementar o atendimento das locadoras. Dois anos depois, lançou o modelo de assinatura parecido com o que conhecemos hoje.
Durante sua trajetória investiu em constantes inovações, sempre apresentando um modo totalmente diferente de se consumir filmes, séries e programas de TV. Hoje, é uma empresa conta com milhares de funcionários ao redor do mundo e ultrapassou a Disney como a empresa de entretenimento com maior valor do mercado.
Uber
A Uber é um dos exemplos de startup mais comuns quando alguém quer explicar o que significa um negócio disruptivo, tanto que se transformou até em um verbo: “uberizar”.
A sua inovação está na forma como disponibilizou um serviço no modelo on-demand (quando o usuário paga por cada utilização do serviço ou produto) no transporte de passageiros por motoristas particulares. Hoje, ela é a maior do mundo nesse setor, com mais de 15 milhões de viagens diárias, sem ser proprietária de nenhum carro.
Então, Evandro explica qual é a única forma de se ter certeza que um negócio pode ser uma startup e tem capacidade de escalar.
“É preciso testar traçando hipóteses, se o seu produto ou serviço vai atender a uma determinada necessidade. Faça prototipagens, como mock-ups, maquetes, desenhos de processos, etc. Vá atrás de potenciais clientes que possam validar sua ideia. Tudo pode parecer meio tosco nos primeiros passos, mas tudo bem, é assim que funciona”.
Tipos de clientes para validar sua ideia
O executivo também nos conta que que precisamos buscar três tipos de clientes: “os visionários, os inovadores e os massificados”.
Visionários: topam usar o seu produto se ele for novo e tiver uma pegada de tecnologia de ponta.
Inovadores: querem algo novo que, além disso, ofereça algum diferencial.
Massificados: são influenciados e seguem os visionários e os inovadores.
“Então, tenha uma ideia, defina algumas hipóteses para ela, prototipe e coloque nas mãos de possíveis clientes o mais rápido que puder”.
Onde estão os investidores?
Quando alguém tem uma ideia de Startup que decide tirar do papel, muitas vezes sai em busca de investidores mas, nesta fase, dificilmente conseguem esse primeiro aporte. O resultado disso é que muitos acabam se frustrando e desistindo já ne início.

Lembre-se que não há falta de dinheiro para investir nas startups. Há falta de bons projetos e bons empreendedores para receber o investimento.
Contudo, o caminho é exatamente este para todos que estão começando. Enquanto tiver apenas uma ideia para startup, por mais inovadora e mesmo com o potencial que você acredite que ela tenha, não vai conseguir atrair investidores tão cedo, como explica Evandro.
“Ideias geralmente são financiadas pelos próprios empreendedores, seus familiares e amigos. Não é necessário muito dinheiro para começar uma startup. Na verdade, quanto menos precisar para dar o primeiro passo, melhor. Depois virão investidores-anjo, seed, ventures e outros”.
Para quem está na fase de validação ou já tem sua solução validada para entrar em operação e comercialização, o executivo aponta alguns possíveis caminhos.
“Ha diversas organizações no Brasil que ajudam o financiamento, inclusive órgãos de governos. Uma busca no Google sobre investimentos em startups no país trará muitas opções para serem estudadas. Não há falta de dinheiro. Há falta de bons projetos e bons empreendedores”
Erros que devem ser evitados
Para o nosso especialista convidado, as dicas mais preciosas que ele sempre costura oferecer às startup é evitar os erros mais comuns e que são responsáveis pelos maiores fracassos. Abaixo, ele lista os mais importantes e que merecem maior atenção:

Evite erros são muito comuns, mas responsáveis por fazer muitos negócios darem errado.
“Eu sei o que o cliente deseja”
Se fosse tão fácil saber realmente o que o cliente deseja, a fase de validação não seria tão importante. Não se engane!
“Eu sei quais recursos desenvolver”
Mais um pensamento comum e limitante para o desenvolvimento de ideias realmente inovadoras. Pesquise, estude!
Ênfase na execução no lugar das hipóteses
Dar mais atenção à operação do que às suas hipóteses fará seu crescimento acontecer sobre uma base frágil. Proteja-se!
Escalar cedo demais
Demorar para começar a escalar pode ser ruim, mas o contrário também é verdadeiro. Prepare-se para o mercado!
Gerenciamento por crise
Um gestor que trabalha apenas solucionando crises e problemas não tem tempo para um comportamento inovador e criativo, características essenciais para fundadores de uma startup. Aja de forma preventiva!
Onde sediar uma startup?
Para Evandro, um dos detalhes a ser observado na hora de decidir onde sua startup exercerá suas atividades é o ecossistema onde o seu ramo é mais desenvolvido.
“Por exemplo, uma startup de tecnologia encontraria um ambiente bastante colaborativo em lugares como o Vale do Silício. Se o modelo de negócio envolve mídia, não há lugar melhor do que Nova York. Para Fintechs, centros urbanos que são corações do mercado financeiro, como São Paulo”.
Partindo de um ponto de vista mais micro, levando em consideração o espaço físico que será ocupado pela empresa, ele também tem suas considerações.
“Pensando no ambiente, é importante que nos primeiros passos os empreendedores estejam todos juntos. Sao muitas ideias e hipóteses pipocando. Nada substitui a interação olho no olho, ágil e aproveitando o calor momento.”
Dessa forma, normalmente as startups estão sediadas em espaços como os formatos abaixo:
Incubadoras
As incubadoras são espaços físicos onde as startups são abrigadas durante um processo chamado de incubação. Além de um lugar para trabalhar, as empresas têm à sua disposição uma estrutura que oferece suporte profissional para que consigam entrar no mercado.
Hubs de inovação
Assim como nas incubadoras, nos hubs de inovação, as startups encontram uma estrutura para dar apoio ao seu desenvolvimento. A diferença é que, nesses espaços, há um maior estímulo para troca de experiências e busca de investimentos, por exemplo. Além disso, é um ecossistema que também atrai o envolvimento de empresas, pesquisadores, universidades, ongs, órgãos públicas, grupos de investimento, etc.
Coworking
Os espaços de coworking têm se mostrado uma alternativa muito prática e acessível. São ambientes altamente colaborativos nos quais um empreendedor engajado pode encontrar alguns dos principais elementos de uma incubadora ou de um hub de inovação. Por exemplo, a convivência e a troca de experiência entre empresas de diferentes setores.

Salas privativas
Um exemplo desse tipo de espaço é a Mango Tree, um coworking no Centro de São Paulo. Um espaço de trabalho compartilhado próximo à estação República do Metrô que já nasceu preparada para receber negócios inovadores, disruptivos e colaborativos como as startups.
Para saber um pouco mais sobre a importância de um espaço ideal para a sua empresa, você também pode ler as matérias abaixo aqui do blog:
- Ambiente de trabalho: disposição do escritório pode despertar bem-estar
- Ambiente de trabalho: Layout dos escritórios reflete na criatividade, na produtividade e nos resultados financeiros da empresa
Algo muito interessante é que a Mango Tree é um espaço aberto para visitas oferece diárias de trabalho como cortesia para quem deseja viver essa experiência e descobrir tudo o que elencamos nesta matéria ou nas que você leu nos links acima.
Vamos tirar sua startup do papel?